Mulheres Que Voam
“Os homens sempre tiveram medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, sejam elas livres.”
Quando escutei essa frase pela primeira vez, senti como se tivesse encontrado um pensamento que sempre existiu dentro de mim, mas que eu nunca tinha sido capaz de admitir ou descrever.
Lembro da primeira vez em que percebi o que era o machismo e como ele estava enraizado na sociedade. Claro que, naquela época, eu não sabia dar esse nome ao que sentia, mas o desconforto já existia. Eu tinha 7 anos quando meu tio comentou que o meu short estava “curto demais”. Prontamente respondi que bastava ele não olhar. Tão prontamente quanto, recebi um esporro da minha família: “não se fala assim com alguém da família”. Mas ele podia comentar sobre o meu corpo?
Também me lembro de que, ainda nessa idade, eu já tinha pensamentos considerados “livres demais”, vistos como feministas. Cresci e decidi estudar sobre isso. O pensamento crítico e a percepção de mundo vieram (e ainda estão vindo).
Mas, sempre que eu tentava expor minhas ideias à mesa, era silenciada ou tratada como piada. Hoje, pouca coisa mudou. A diferença é que agora essas conversas vão além do meu círculo familiar. E, ainda assim, sempre existe um homem para tentar me silenciar, para dizer o que eu devo ou não fazer, qual roupa devo ou não vestir, como eu deveria exercer a minha liberdade, tudo a partir da visão degradante e machista dele, é claro.
Acontece que hoje nós, mulheres, temos o privilégio de nos expor, de expressar nossas opiniões e de pensar por nós mesmas. Eu posso pensar e existir, e sou livre a partir disso. Posso usar a roupa que quero, e isso também é liberdade. A minha saia é sinônimo de liberdade e, se você entende um pouco de moda, talvez compreenda melhor o peso dessa afirmação. O meu poder de falar, de estudar e de ocupar espaços também é liberdade.
Então eu me pergunto — e afirmo: os homens têm medo das mulheres porque jamais serão tão livres quanto nós. Digo isso a partir do que penso e do que observo diariamente. Eles são livres em muitos aspectos, mas continuam presos a pensamentos arcaicos e misóginos impostos pela própria sociedade.
Antes éramos queimadas na fogueira; hoje somos diminuídas e desprezadas. E, no fundo, as duas coisas continuam acontecendo pelo mesmo motivo. Os homens odeiam mulheres livres. Os homens têm medo de mulheres libertas.
E eu repito o que foi dito no início:
“Os homens sempre tiveram medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, sejam elas livres.”




